San Blas, o Caribe Panamenho

Localizado no Panamá e considerado o início do Caribe, San Blas é um arquipélago composto por mais de 360 ilhas e ilhotas de mar turquesa, preservadas e protegidas pelos índios Kuna Yala, onde apenas algumas ilhas são povoadas e a maioria inabitadas.

Quando ir

Diferente de outras regiões do Caribe, San Blas está fora da rota dos furacões, então é um motivo a mais para comemorar. Nos meses de dezembro a março, é período de seca, e as chances de chuvas são remotas, e nos meses entre maio a outubro, é época de chuvas, mas o sol prevalece na região e mesmo quando a chuva consegue vencer o sol, o mar continua transparente, além da temperatura estar sempre acima de 20°C, podendo aproveitar as ilhas tranquilamente. Então, San Blas é daqueles lugares que podemos considerar conhecer em qualquer época, e a melhor época é quando puder ir.

Como chegar

Aeroporto Panamá City + Transfer até a fronteira dos índios + transfer até o Porto Carti + barco até as ilhas

Panamá City | O aeroporto utilizado para chegar á San Blas é o da capital panamenha, o Aeroporto Internacional Tocumen (PTY) na Cidade do Panamá. Estando na capital Panamá City, pode-se alugar um veículo para chegar até o ponto máximo, o Porto Carti (de onde saem os barcos até as ilhas) ou então contratar um transfer para ida e volta. Para chegar á San Blas, você precisa literalmente sair de sua zona de conforto, pois deve levar em consideração o trecho do aeroporto até a cidade, da cidade até a fronteira Kuna Yala, da fronteira até o Porto Carti e do Porto, seguir de barco até as ilhas.

Aconselhamos que chegue na capital já com o transfer contratado. Existem empresas que fazem um tour tipo bate-volta, saindo da capital pela manhãzinha e retornando á noite, mas fazendo desta maneira tudo fica muito corrido e acreditamos que não aproveitaria bem as ilhas. Então, reservamos 4 dias e 3 noites para conhecer San Blas, ter um contato maior com a cultura Kuna Yala e acompanhar o nascer e por-do-sol em um dos lugares mais paradisíacos da América Central. E nosso transfer e barco, fechamos diretamente com o responsável pela hospedagem na ilha.

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A fronteira dos Kuna Yala

A fronteira dos Kuna, conhecida como Guna Yala, está a mais ou menos 2h da capital Panamá City, portanto se estiver hospedado na capital para conhecer as ilhas, é necessário acordar cedinho e enfrentar a estrada, pois a fronteira tem horário de funcionamento, fechando ás 10h da manhã, e depois deste horário, quem estiver na fila, retorna. Na fronteira, deve-se pagar aos mesmos, uma taxa de entrada no território no valor de U$22, e nenhum estrangeiro entra sem o passaporte. Procure levar dinheiro trocado. Após autorizado a entrada, temos mais 30 minutos de estrada entre as montanhas para chegar até ao Porto Carti, de onde saem os barcos para levar até as ilhas. Como informamos, literalmente é necessário sair de sua zona de conforto, pode acreditar, pois as estradas são esburacadas, com uma pista extremamente sinuosa, e um sobe-desce sem fim, e, para quem sofre com enjoos em um cenário como este, deve se precaver á sua melhor maneira!

Na chegada ao porto Carti, é feito um cadastro, uma espécie de controle de quantos dias irá ficar em San Blas e qual ilha ficará hospedado, se for o caso. Aqui paga-se novamente para o barqueiro contratado, levá-lo para a ilha que ficará hospedado e combinar de ir buscá-lo no dia de seu retorno, quando trata-se de um tour bate-volta, normalmente já está incluído o barco para conhecer as ilhas, diferente de nós que íamos ficar alguns dias, então, fechamos pelo valor de U$20 cada trecho, por pessoa.

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A cor da água aqui no porto até assusta, mas não se preocupe, pois conforme o barco vai se afastando, a água vai ficando cada vez mais limpa, transparente…

A alguns anos atrás, San Blas já era um lugar bem desconhecido pelos turistas do mundo todo, mas com o passar dos tempos, aquela região foi sendo reconhecida pelas suas inigualáveis belezas naturais e sendo cada vez mais procurada pelo turismo em massa, portanto os Kuna, responsáveis pela região, foi se adequando a receber cada vez mais turistas, e hoje muitas familias Kuna vivem dos dólares que entram nas ilhas… Mas não espere nenhum serviço 5 estrelas, tudo por lá é muito básico, tanto no saneamento quanto na alimentação, tudo muito rústico, pois muitos índios ainda não largaram seus hábitos e costumes indígenas. Ainda bem, pois poder vivenciar sua cultura, costumes e valores não tem preço.

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Estando hospedado em uma ilha, você tem a opção de conhecer outras ilhas com mais calma, e os Kunas cobram o valor de U$5 ida e volta a cada passeio, e paga-se mais U$3 de taxa de entrada na ilha a ser visitada (algumas ilhas não são cobradas)…Como gostam de dólar, os Kunas hein 🙂

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Nem todas as ilhas servem as principais refeições, (desayuno, almuerzo e la cena) e as que servem, costumam ter o cardápio simplificado em frango ou pescado (acompanhado por arroz ou banana e salada ou papas fritas) custando o valor de U$9 cada refeição, ou camarão a U$12. Os pescadores surgem também com alguns frutos do mar, como lagostas, com um valor superior aos pratos simples e, além de comprar, precisa também pagar para cozinhar…Tudo negociado ali mesmo quando surge alguém vendendo. As bebidas, geralmente em todas as ilhas povoadas, vendem a U$2 qualquer bebida (água, água de coco, refrigerantes, cervejas). Una cerveza Balboa, por favor !

Onde ficar

Veleiros, bangalôs, cabanas e barracas de camping, são as opções para se hospedar por lá. A primeira opção, os veleiros, o valor é bem salgado, mas é uma experiência única e talvez a mais confortável, diferente das outras hospedagens rústicas… Já os bangalôs e as cabanas estão num valor intermediário, tornando as barracas, o valor mais acessível. Todos eles podem ser reservados através do booking.com. Escolhemos a hospedagem estilo camping na ilha Perro Chico, que além de ser uma experiência sensacional poder acampar de frente para o mar do Caribe, ainda era a hospedagem mais econômica em um lugar que convenhamos, não ser nada “baratinho” para se conhecer… O “índio” responsável pela hospedagem, também foi o cara com quem fechamos o transfer de ida e volta á San Blas e o barco do porto até a ilha… Tudo via whatsApp, exatamente, o índio tem whatsApp.

Isla Perro Chico

Lembrando que As ilhas são todas lindas, difícil dizer qual é a mais bonita, então ficamos acampados em barraca de camping na Isla Perro Chico, uma das mais movimentadas e a mais equipada para receber turistas. “Morar” durante 4 dias em um território indígena, mesmo que muitos deles são como nós, entregues ao capitalismo, mesmo assim nos deparamos com uma cultura distinta, uma experiência maravilhosa. Dormir e acordar ao som dos pássaros-preto da ilha (apelidamos de veludinhos, por suas penugens se assemelhar com o veludo), ouvir o índio tocar um instrumento anunciando a hora da refeição, acompanhar os Kuna falando entre eles, em seu dialeto e não entendermos bulhufas nenhuma, as vestes das índias que mais se parecem com ciganas com grife, e conhecer um índio totalmente articulado nas palavras, falante de outras línguas e formado na Suíça, é uma experiência impagável.

A ilha Perro Chico, algumas partes com algas e o restante da margem com vários tons de azul, quando vista distante da praia. Uma mistura ora azul turquesa ora verde esmeralda por toda sua costa e uma piscina natural  que faz se apaixonar pelo lugar. Veleiros, barcos, palmeiras, coqueiros, balanço, uma academia improvisada pelos Kuna, cabanas, barracas, e diversas redes de balanço esticadas pela ilha compõe o cenário de Isla Perro Chico… Por ali é possível acompanhar o albatroz indo á caça de seu alimento, descendo até a água todo atrapalhado e em outra descida, totalmente diferente, com uma incrível classe quando vai simplesmente pousar nas tranquilas águas de San Blas. Há também aqui, um barco afundado, ideal para fazer um snorkel e se deslumbrar com aquele enorme objeto cheio de animais marinhos fazendo morada.  Aqui, podemos acompanhar o amanhecer de um lado da ilha com os primeiros raios do sol, os primeiros veleiros e barcos,  e o anoitecer, o outro lado da ilha com o sol se pondo e as demais ilhas de longe, acendendo as primeiras luzes. No mar, um breu total e no céu, uma quantidade incontável de estrelas,  um privilégio.

Isla Perro Grande

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O coração dispara quando o barco chega nesta ilha. Ela é uma perfeição para os olhos, mas também uma das mais movimentadas de San Blas. A praia desta ilha é quase toda uma piscina natural, mais de 180 graus, uma das ilhas com as maiores piscinas naturais de San Blas. lugar para passar horas e horas fazendo um snorkel e avistando peixes exóticos, crustáceos e carapaças enormes, ou banhando-se naquela água verde esmeralda. A parte coberta por coqueiros da ilha, bem no centro dela, concentra-se a maioria das cabanas, onde moram algumas famílias Kuna, que vendem seus artesanatos e algumas bebidas. A ilha não dispõe de refeições, além das bebidas, mas,  existe a possibilidade de pedir gentilmente a algum índio com disposição, a ir buscar em outra ilha uma refeição, ou um banquete de frutas. Aqui não há hospedagens, mas alguns viajantes acampam na ilha com autorização prévia…

Isla Fragata 

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Conhecida pelas lindas estrelas do mar  que emergem ao redor da ilha.

A parte de entrada da ilha (que não é cobrada a visita) não chama muito a atenção, mas o caminho que dá acesso a ilhota anexada a ela, é maravilhoso… o caminho é feito completamente pela água, bem rasinha, muito clarinha, totalmente límpida, onde pode-se dar a volta completa na ilhota caminhando pela água, com a surpresa sensacional da presença de estrelas do mar por toda a ilha. Quando vimos, ficamos fascinados, a primeira experiência com estrelas do mar em seu habitat natural, foram poucas encontradas, mas valeu muito a experiência. Para quem nunca as viu em seu habitat natural, ficará deslumbrado com tamanha beleza exposta ao redor da ilha.

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Nota: Infelizmente, nem sempre os Kunas conseguem controlar as atitudes negligentes dos turistas, e muitos querem tirar fotos com as estrelas do mar nas mãos, uma atitude que, além de causas sérios danos a elas, faz com que elas não emergem e procuram outros locais, ou até mesmo submergem, com medo, tornando assim, o local com pouquíssimas estrelas, até não haver mais. Elas respiram somente dentro d’água. Aconteceu nesta ilhota, a descabida história de um grupo de turistas que, simplesmente pegaram a maior quantidade de estrelas possível, colocaram dentro de um saco, e levaram embora para cozinhar… Na fronteira, foram pegos, mas a situação das estrelas já podemos imaginar. Portanto sempre é bom lembrar o quanto é importante a conscientização de preservar respeitar os animais e o meio ambiente.

Voltando a falar de coisas boas, San Blas possui exatamente 365 ilhas, uma para cada dia do ano, portanto é impossível conhecê-las todas de uma vez, San Blas é um destino para se voltar muitas outras vezes e então, além de citarmos as ilhas acima, citamos outras  ilhas abaixo, que também fazem muito sucesso por lá:

 Isla Chichime

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As ilhas Chichime, uma está entre as maiores da ilha (Chichime Grande) e outra está entre as menores da ilha (Chichime Chico), e estão de frente uma para outra. As ilhas Chichime são ilhas de areia branca, água cristalina com muitos corais, peixes pequenos e estrelas do mar. Na Chichime Grande é possível hospedagem com refeições, e é uma das ilhas com hospedagens mais tranquilas de San Blas.

Isla Franklin

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Uma das ilhas mais tranquilas de San Blas, e a praia é uma verdadeira piscina. Podendo se hospedar e fazer as refeições diariamente, mas as instalações aqui são mais precárias. A ilha leva o nome da família Franklin, os índios responsáveis por esta ilha.

Isla Iguana

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Uma das mais próximas do porto e também uma das mais equipadas para receber turistas, esta ilha de porte “médio”, oferece hospedagens em bangalôs, barracas e cabanas, e as principais refeições diárias. Sua praia e a paisagem em volta, é uma das mais belas e tranquilas de San Blas. Uma ilha para se hospedar muitas outras vezes…

Isla Pelicano

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Esta é uma ilha minúscula, e linda! Lembrando muito aquelas ilhas habitadas por apenas uma pessoa, de filmes de naufrágio. Esta pequena ilha fica atrás da ilha Perro Chico, e é praticamente impossível vê-la de longe e não querer ir até lá. Leve comida e bebida se for ficar muito tempo, pois aqui não vende nada, além do artesanato da família moradora na ilha. Aqui é possível acampar com sua própria barraca, mas somente com autorização da família.

Isla Guanidup

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Esta ilha oferece hospedagem em cabanas. As refeições são de acordo com a pesca do dia. Bela praia com palmeiras.

Em San Blas, ilhas paradisíacas é o que não faltam… E a noite estrelada daquele lugar, é algo surreal… As águas, uma mistura de azul turquesa com verde esmeralda que encantam a todos, simplesmente maravilhosa… A cultura dos índios Kuna Yala, suas vestes e hábitos são extraordinários, impagável… e apenas 4 dias e 3 noites para nós foi pouco, muito pouco!

Vídeo de San Blas

Parceria com:

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