MAGIC BUS é retirado da Natureza Selvagem.

O ícone do filme e do livro “Into the Wild, o famoso Magic Bus, foi retirado de helicóptero do seu memorável local, nesta tarde de quinta-feira, 18.06.2020.

Conhecido mundialmente como “Magic Bus”, o ônibus enferrujado que foi abandonado no Alasca, e ficou famoso pelo livro e filme “Na Natureza Selvagem” (Into The Wild, no título original), foi retirado do lugar onde aventureiros, que tinham o veículo como um santuário, visitavam o local para reviver a história de Christopher McCandless, que usou o Magic Bus como seu acampamento antes de morrer.

Imagem @sharing_Alaska

O extenso e selvagem Parque Denali, localizado no interior do Alasca, possui uma “trilha da debandada“, no lado oeste do Rio Teklanik, um local de difícil acesso e muito perigoso no inverno, e mesmo assim, há anos atraia aventureiros de toda parte do mundo, para conhecer e reviver a história do Filme e do Livro (veja aqui o filme INTO THE WILD).

“O Comissário de Recursos Naturais do Estado do Alasca, Corri Feigi, informou que o motivo pela remoção do veículo, deu-se ao o fato de que em alguns casos, exigia esforços para resgates perigosos e caros. Mais importante ainda, estava custando a vida de alguns visitantes. A força militar de lá retirou o ônibus como parte de uma missão de treinamento para que não houvesse custos adicionais aos moradores ou ao estado. “

O destino do Magic Bus não foi informado, apenas que será enviado para um local seguro e permanente e não foi danificado, considerando o valor sentimental que possui para a família de McCandless.

Como é um local de difícil acesso, muitos destes aventureiros não tiveram um final feliz, e um brasileiro é o mais recente de uma longa lista de turistas que tentam visitar o ônibus e precisam ser resgatados. Em fevereiro, cinco turistas italianos, um com pés congelados, foram resgatados após uma caminhada até o local. Duas das caminhadas foram fatais. No verão passado, uma mulher de Belarus morreu após ser arrastada pelo rio Teklanika ao voltar do ônibus. Em 2010, uma turista suíça faleceu em um incidente semelhante no rio.

O ônibus que ficou estacionado por décadas na região, divide opiniões nas redes sociais em relação a sua remoção. O prefeito local classificou a remoção do ônibus como um grande alívio, mas para alguns fãs do livro e filme, classificam esta remoção como se estivessem apagando a história vivida naquele local, além de ser o fim de um sonho de muitos viajantes que queriam conhecer aquele lugar.

A história do ônibus 142

Mas como o Magic Bus foi parar naquele local? Isso foi no início dos anos 60, onde foram realizadas obras de infraestrutura no Alasca. Os trabalhadores, durante parte dessas obras, ficaram abrigados em quatro ônibus estacionados às margens de Stampede Trail, a trilha que leva às minas onde parte dessas obras deveriam ser realizadas. Ao final das obras, os trabalhadores e seus instrumentos de trabalho foram removidos, com exceção de um ônibus, que teve o eixo quebrado na travessia de volta, o ônibus 142 de Fairbanks. Como sua função era ser usado como moradia improvisada, o ônibus contava com fogão e cama, mas não com motor. Estando perdido no meio do Alasca, seria usado nos anos seguintes por caçadores como “casamata”.

Em 1992, 30 anos depois de chegar ao que até então parecia ser seu destino derradeiro, o ônibus 142 abrigou o jovem Christopher McCandless, que acampou e morou nas dependências do ônibus durante o verão e veio a falecer, em suas dependências, de inanição. Foi Christopher que batizou o ônibus 142 de Ônibus Mágico. Essa história ficou conhecida graças a um livro, escrito Jon Krakauer em 1996, que em 2007 virou um filme dirigido por Sean Penn – “Na Natureza Selvagem”. Desde Então, o Ônibus Mágico se tornou não só famoso, mas um lugar de peregrinação.

“A felicidade só é real quando é compartilhada”… (Na Natureza Selvagem)

O Ônibus Mágico, desde que estacionou pela primeira vez no ‘deserto’ do Alasca, foi cada vez menos ônibus e cada vez mais foi sendo preenchido de histórias. Abrigou os trabalhadores de Fairbanks, os mineiros e os caçadores do Alasca, resistiu à severa intempérie da região, foi descoberto por um jovem no começo dos anos 90 e, por fim, rebatizado tornou-se símbolo de desviantes, sonhadores e andarilhos que viam no ônibus encalhado no meio do Alasca a materialização do sentimento que levou McCandless a percorrer todo os EUA a pé ou de carona procurando o que não encontrava no seu cotidiano.

O Ônibus Mágico é memória e mensagem. Constituiu-se memorial e monumento pelos olhos daqueles que se emocionaram ao ler, ouvir ou assistir a história do garoto desviante que morreu. Mudá-lo de lugar – é aqui que eu queria chegar – não o torna menos memória e não torna o Alasca menos mágico. Pelo contrário, inclusive: realocar o ônibus para um lugar acessível e seguro permite que as pessoas possam visitá-lo com segurança, assim como permite que mais pessoas efetivamente possam vê-lo. Democratiza-se o acesso ao instituinte de memória – isso é, ao Ônibus Mágico – a passo que aqueles que sonham com se aventurar nas florestas do Alasca podem continuar fazendo, mas agora respeitando os próprios limites e não em busca de um símbolo que exige que se coloque a vida em risco.

Não é triste que o ônibus tenha sido removido, é uma pena que, por tanto tempo, vê-lo foi sinônimo de correr riscos e custou vidas. É justo que todos aqueles que se sentem tocados pela história que ele representa possam, um dia, prestar homenagem e contemplar o ônibus em um lugar seguro, salubre e que honre a história que ele materializa.

Por fim, resgatar o ônibus e preservá-lo é, também, resgatar e preservar a história do Alasca e de McCandless. É uma pena que demorou tanto para acontecer. No limite, acredito, é o que o garoto provavelmente iria querer que fosse feito, afinal de contas “a felicidade só é real quando é compartilhada”. (Fernando Seixas, historiador brasileiro)

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