África do Sul: naturalmente linda

Cidade do Cabo: Table Montain

Se você viaja ou tem um grande desejo de viajar, é provável que tenha algum sonho ou meta a alcançar: fazer um mochilão pela Europa ou pela América do Sul, visitar as 7 maravilhas do mundo, conhecer todo o litoral brasileiro…

Eu queria conhecer pelo menos um país de cada continente e os 3 grandes oceanos.

Neste artigo, vou compartilhar com vocês como foi completar tal desejo em abril de 2019, visitando a África do Sul durante duas semanas. E tomara que vocês também se sintam motivados a conhecer aquele lindo país.

Vou indicar alguns preços que paguei na época para dar alguma ideia de custos, certo? Mas lembre-se de confirmar o que for possível antes da sua viagem.

Kudu no Hluhluwe Game Reserve em St. Lucia

Informações gerais

Do Aeroporto de Guarulhos, no estado de São Paulo, saem voos diretos para Johanesburgo e a viagem dura menos de 9 horas. Promoções são comuns, então fique atento ao site da LATAM ou da Melhores Destinos (ou similar) que anunciam as ofertas. Na época, paguei R$1.470 pela LATAM (um ótimo preço).

Em relação ao fuso horário, a África do Sul está 5 horas “no futuro”, considerando o horário de Brasília. Portanto, você vai perder 5 horas na ida e recuperá-las no retorno ao Brasil.

Johanesburgo, apesar de ser a cidade mais populosa, não é a capital. Aliás, a África do Sul tem 3 capitais! Cada uma contendo a sede de um poder. Em Pretória está o Poder Executivo; na Cidade do Cabo, o Poder Legislativo; e em Bloemfontein, o Poder Judiciário.

Brasileiros não precisam de visto de turismo para ficarem até 90 dias no país, mas devem levar o Certificado Internacional de Vacinação (CIV) contra a febre amarela (que deve ser tomada com pelo menos 10 dias de antecedência). O passaporte também precisa ter validade de 1 mês após a data prevista para saída da África do Sul. A imigração é rápida e tranquila.

A moeda sul-africana se chama Rand (ZAR). Eu comprei em São Paulo antes da viagem, mas caso você não encontre na sua cidade, recomendo que leve dólares americanos ou euros, já que Reais não são facilmente aceitos.

São 13 os idiomas oficiais da África do Sul, mas 99% das pessoas que encontrei falavam inglês [também]. Se você for um turista curioso, pergunte aos nativos quantos idiomas falam. Na minha “pesquisa”, encontrei pessoas que falavam até 7 idiomas nacionais!

Do aeroporto de Johanesburgo, há voos para outras cidades tanto da África do Sul quanto de outras partes do continente africano, caso você queira estender a sua trip.

E se você acha que a nossa tomada é estranha prepare-se para conhecer a tomada sul-africana! Hehehe… mas não precisa se preocupar em comprar uma (eu comprei e não usei!), já que normalmente os hotéis e hosteis têm uma “tomada internacional”. De qualquer modo, recomendo que leve um adaptador universal.

Artista e obra em Durban

Pretória e Johanesburgo

Para sair do aeroporto, peguei o Gautrain (https://www.gautrain.co.za/#). Trata-se de um trem muito moderno que conecta o Aeroporto Internacional O. R. Tambo a vários bairros de Johanesburgo e chega à capital executiva, Pretória. É preciso pagar dois valores: um pelo cartão (ZAR17) e outro pela passagem (variável de acordo com a estação de destino). Cuide bem do seu cartão porque você vai precisar dele mais tarde.

Interior do Gautrain rumo a Pretória

Eu passei minha primeira noite em Pretória, mas, infelizmente, meu voo atrasou muito e perdi o dia que eu dedicaria à cidade, então recomendo que não façam planos para o dia da chegada, já que, aparentemente, atrasos não são raros.

Fiquei num bairro residencial muito arborizado. Meu hostel (1322 Backpackers International) estava a 15 minutos de caminhada da estação, mas me perdi um pouco para chegar. Foi mais uma oportunidade de comprovar a cordialidade dos nativos.

No segundo dia, peguei logo cedo o Gautrain para Johanesburgo. E, como eu teria apenas um dia inteiro dedicado a essa cidade, optei pelo ônibus turístico que eu recomendo totalmente. A cidade é bem grande e as atrações não ficam próximas umas das outras.

Constitution Hill em Johannesburgo

Eu visitei a Constitution Hill (ZAR60) e o Museu do Apartheid (ZAR80). O primeiro é uma das prisões em que Nelson Mandela ficou preso. O local está muito bem preservado e dá uma ideia clara de como era na época. Antes do passeio, você pode baixar gratuitamente o aplicativo do museu para aproveitar melhor a visita. O Museu do Apartheid, por sua vez, conta detalhadamente a história do regime de segregação racial que só teve fim em 1994. Ele traz vídeos, livros, documentos, instalações artísticas… Recomendo fortemente a visita a ambos.

Museu do Apartheid em Johannesburgo

Por motivos pessoais, eu não quis visitar o famoso bairro de Soweto (uma grande favela que se tornou símbolo da resistência negra durante o Apartheid e onde moraram algumas celebridades locais). Porém, mais tarde conheci pessoas que moravam lá que me convenceram de que era natural para eles receberem turistas, já que se trata de um local histórico. Então, saiba que a empresa do Hop-on-Hop-off (https://www.citysightseeing.co.za/en/joburg) oferece um ônibus especificamente para esse passeio.

Constitution Hill em Johannesburgo

St. Lucia

Foi bem difícil encontrar informações sobre como chegar a St. Lucia sem carro. Eu descobri essa cidadezinha por acaso e não podia tirá-la do meu roteiro, mas eu já sabia que chegar lá seria uma pequena odisseia.

Na noite do meu segundo dia em Pretória, a proprietária do hostel me deu uma carona até a estação de trem e eu fui até o terminal de ônibus de Pretória, onde peguei um ônibus para Durban (ZAR250). A viagem durou quase 7 horas, mas cheguei quando ainda era madrugada. Havia muitas pessoas, mas os guichês e as salas de espera ainda estavam fechados e assim permaneceram até 6h30 ou 7h da manhã.

Às 7h30 saiu meu ônibus para Richard Bay, onde eu tomaria um “táxi” para Mtubatuba e, de lá, outro para St. Lucia.

O transporte popular na África do Sul não são os trens nem os ônibus. A população mais pobre viaja em velhas vans que são chamadas de “táxi”. Esses “táxis” vão para praticamente qualquer lugar do país e custam até ¼ do valor do ônibus. Elas também fazem o transporte regular dentro das cidades maiores.

O ônibus me deixou num McDonalds em Richard Bay, mas eu não sabia como chegar ao “taxi rank” (que eu ainda não sabia exatamente o que era). Fiquei preocupada, mas ainda eram 9h da manhã e eu decidi tomar meu café da manhã ali mesmo enquanto pensava no que faria.

Para minha sorte e alegria, escolhi a pessoa certa para pedir informação. Ganhei uma carona! Minha benfeitora me deixou no terminal de onde saiam as vans (o tal “taxi rank”) e ainda fez a gentileza de localizar qual era a minha. De lambuja, ainda ganhei uma canga com a bandeira da Suazilândia! (Esse é um país localizado “dentro” da África do Sul e que mais tarde mudaria o nome para Essuatíni).

Era uma manhã de domingo e a van demorou mais de uma hora para sair! Aparentemente, eu era a única apressada, então esperei. A viagem durou cerca de 40 minutos e custou ZAR50. Fui conversando com uma moçambicana – em português, é claro!

Em Mtubatuba, para minha surpresa, a van seguinte sairia de outro local. Mas, adivinhem? Ganhei outra carona! Dessa vez, saímos bem rápido do ponto e a viagem deve ter levado um pouco mais de 1 hora (ZAR24), passando basicamente por áreas rurais. Todos estavam atentos para que eu não perdesse o ponto. Foi divertido! Eu era sempre a única não africana.

Mas vocês devem estar se perguntando o que me levou a St. Lucia. Nesse vilarejo, fica um estuário onde se encontra a maior concentração de hipopótamos do país! – e uma das maiores de todo o continente. Além disso, é possível fazer safari (bem menos concorrido e muito mais barato que no Kruger) no Hluhluwe Game Reserve:

Gente, que coisa maravilhosa é poder observar esses animais em seu ambiente natural! E é tão silencioso. E tão monocromático! Hahaha… No Hluhluwe Game Reserve, não há predadores, portanto, não espere ver algum dos grandes felinos.

Kudus

Perto do vilarejo, também está localizado um Patrimônio Natural da Humanidade: Wetland Park iSimangaliso. Ali, além de outros animais, finalmente me encontrei com o Oceano Índico!

Para nenhum dos dois passeios não há necessidade de contratar o tour com muita antecedência, mas recomendo que não o faça com menos de 24 horas porque pode não sobrar espaço para você, já que os grupos são pequenos. As excursões começam cedo, levam o dia todo e normalmente incluem o almoço.

Nosso guia preparando o almoço do grupo no tour para o Hluhluwe Game Reserve

À noite em St. Lucia, é preciso ter atenção para evitar um desagradável encontro com um hipopótamo. Durante o dia, os “cruzeiros” que duram 2 horas são a melhor opção para ver esses animais de pertinho. O Croco & Hippo Cruise que é oferecido por todas as agências do vilarejo e tem vários horários diários. Sugiro que você o faça às 15h ou às 16h quando é mais provável que os hipopótamos estejam fora da água. Também é bom verificar o tamanho do barco oferecido pela agência, já que alguns são grandes demais.

Hipopótamos submersos no Estuário
Hipopótamos voltando para a água

Em St. Lucia fiquei num hostel muito legal que também era pousada e tinha piscina! Aliás, esse hostel e o da Cidade do Cabo eram maravilhosos.

Monzi Safari Backpackers

No hostel, conheci um grupo de dinamarqueses super divertidos que fizeram o safari comigo. E também um casal de irmãos brasileiros que estavam fazendo uma viagem muito legal pela África. Aliás, encontrei muitos brasileiros durante essa viagem. A única exceção foi em Durban.

grupo depois do almoço incluído no safári do Hluhluwe Game Reserve

Durban

Para voltar a Durban, eu já estava psicologicamente preparada quando fui pegar uma informação com o dono do hostel. E adivinhem? Ganhei outra carona! Adoro esse país! Hahah…

Ele me deixou no “taxi rank” de Richard Bay e lá peguei uma van (ZAR140) diretamente para Durban. A viagem durou um pouco mais de 2 horas e o “taxi rank” de Durban ficava perto do meu hostel, então fui caminhando e já entrando no clima da cidade.

Sul-africanos de origem indiana na orla de Durban

Durban é a terceira maior cidade do país. Lá, vive a maior população indiana fora da Índia, então há mais pessoas usando roupas coloridas do que nas outras cidades. A culinária também é muito influenciada.

Bunny chow: a iguaria mais popular da cidade de Durban

Se você gosta de comprar lembrancinhas de viagem, essa é a melhor cidade. O mercado central e a feira montada em frente à praia têm verdadeiras pechinchas.

Orla de Durban

A orla da praia tem prédios muito bonitos e achei o local muito interessante para se observar o comportamento das pessoas. Eu soube que durante o Apartheid, a maioria das praias era proibida para “pessoas não brancas” e senti que ainda há ecos disso na dinâmica local: mais pessoas brancas na areia e mais pessoas negras no calçadão, por exemplo.

Orla de Durban
Mais uma vez o Oceano Índico 😀

Como tinha dito antes, não encontrei brasileiros em Durban, mas fiz um bom amigo que fez toda a diferença. Nascido no Sri Lanka, Sandeep morava na Suécia. Graças a ele, fui assistir a uma partida de Rúgbi (ZAR50). Ótima pedida para quem visita a África do Sul. Aparentemente, você pode comprar os ingressos um pouco antes do jogo sem dificuldade.

Sharks vs. Reds no Kings Park
Em boa companhia em Durban

Cidade do Cabo ou Cape Town

Viajei para a Cidade do Cabo num voo de pouco mais de 2 horas de duração. Para chegar ao aeroporto de Durban, peguei um transfer compartilhado (ZAR80) que contratei no próprio hostel, mas que era de uma empresa independente. Comprei a passagem com uns 2 meses de antecedência, ainda no Brasil, de uma companhia aérea local chamada Mango (ZAR892). Para deixar o aeroporto, tomei um ônibus (ZAR100) que me deixou a duas quadras do meu hostel no centro.

Vista da Lions Head

A cidade é muito muito muito bonita e acabei passando minhas últimas 6 noites ali. Fiquei num local excelente chamado 91 Loop Boutique Hostel. Havia pessoas de muitos lugares diferentes e fiz ótimas amizades. Toda noite, ficávamos papeando no quarto, nas áreas comuns e em algum local das redondezas.

Tem realmente bastante coisa pra fazer na cidade, mas não é barato, então preferi não contratar nenhum tour e optei pelos passeios gratuitos.

No meu segundo dia, saí com dois colegas: o primeiro, Vashish, era um atleta original das Ilhas Mauricio, mas que morava na Espanha; o segundo, Richard, era um professor inglês que morava na Nigéria, eu o tinha conhecido durante meu passeio por Johannesburgo e agora o reencontrava na Cidade do Cabo. Caminhamos para conhecer o colorido bairro Bo Kaap e logo a Signal Hill e a Lions Head. Na parte final, fiquei com medo do vento forte e não subi até o topo, mas a parte em que cheguei já me pareceu ter valido a pena. Havia bastante gente na montanha e, aparentemente, fui a única covarde hahahaha…

Bo Kaap
Table Montain vista da Signal Hill
Vashish, Richard e a Lions Head vista da Signal Hill
Meu limite na subida da Lions Head

No dia seguinte, descansei batendo um bom papo com dois americanos e uma italiana no Company Gardens e comendo comida oriental (especialmente árabe e indiana) no delicioso e econômico Eastern Food Bazaar.

Numa conversa descontraída na Company Gardens
Fachada do Eastern Food Bazaar

No outro dia , foi o momento de tomar um uber com meus companheiros de aventura para chegar aos pés da Table Montain (“Montanha da mesa”) e fazer a subida, a exploração e a descida a pé. Para quem tem dificuldade de locomoção ou qualquer outra razão para não fazer isso assim, é possível pagar o teleférico para subir e/ou descer, mas recomendo muito a subida a pé para quem tem condições de fazê-la. É maravilhoso! Cansativo, mas valeu cada segundo. Aqui, eu não amarelei! 😀

Descanso durante a subida
Subindo a Table Montain
Vista do alto da Table Montain
Table Montain

No meu último dia livre, peguei um ônibus e fui descansar sozinha na praia. E que praia! Camps Bay e Clifton beach são lindas. Essa parte do litoral sul-africano está voltada para o Oceano Atlântico, mas a água é fria.

Camps Bay com os 12 apóstolos (cadeia de montanhas) ao fundo
Clifton beach

No dia seguinte, saí do hostel quando ainda estava escuro para ir ao aeroporto e pegar meu voo para Johannesburgo e, logo, para São Paulo.

Roteiro resumido

  • Dia 1: Pretória: chegada
  • Dia 2: Johannesburgo: Constitution Hill e Apartheid Museum
Constitution Hill
  • Dia 3: St. Lucia: chegada
  • Dia 4: St. Lucia: Safari no Hluhluwe Game Reserve
  • Dia 5: St. Lucia: Safari no Wetland Park iSimangaliso
Wetland Park iSimangaliso
  • Dia 6: St. Lucia: Croco & Hippo Cruise no Estuário
St. Lucia
  • Dia 7: Durban: chegada
  • Dia 8: Durban: Praia e Rúgbi
Durban
  • Dia 09: Durban: Praia e Mercado Central
  • Dia 10: Cidade do Cabo: chegada
  • Dia 11: Cidade do Cabo: Bo Kaap, Signal Hill, Lions Head
  • Dia 12: Cidade do Cabo: Company Garden e Eatern Bazaar
  • Dia 13: Cidade do Cabo: Table Montain
  • Dia 14: Cidade do Cabo: Clifton beach e Camps Bay
  • Dia 15: Retorno
Table Montain
sobre a autora

Mariana Reis Souza é colaboradora honorária do Blog Viajando pelo Mundo, onde compartilha a sua experiência como viajante solo. Além disso, ela é estudiosa e professora de idiomas, ama gatos e sonha em conhecer o continente gelado.

Parceria com:

2 comentários

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s